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Análise de risco de contaminação de água subterrânea por simulação

   

A dinâmica dos agrotóxicos mancozeb e benomil aplicados na região do Submédio do Rio São Francisco, Petrolina/PE, nas fruticulturas irrigadas de manga e uva foi analisada por simulação da movimentação vertical desses produtos no solo. Assim sendo, foram simulados cinco anos consecutivos após a aplicação dos produtos nos solos, separadamente. As profundidades e concentrações atingidas pelos produtos nos doze solos dos tipos Latossolos, Podzólicos, Planossolos e Areias Quartzosas, predominantes na região foram avaliadas. As doses recomendadas e as maiores doses registradas como aplicadas na região (levantadas nas atividades de monitoramento), assim como os valores de meia vida (t½) e de coeficiente de adsorção dos produtos citados em literatura científica, foram utilizados. Nesse sentido, para benomil em uva, foram avaliados cenários de simulação com diferentes valores de meia vida (t½= 67 dias e t½ = 240 dias). Os resultados obtidos apontaram que esse valor altera totalmente a análise dos resultados finais em relação a análise de risco de contaminação, uma vez que as concentrações do produto após os cinco anos simulados ainda foram consideráveis, quando utilizada t½= 240 dias e dose máxima registrada na região. Para as doses de mancozeb aplicados em manga na região, não foram evidenciadas tendências de risco de contaminação (considerados os Koc= 2000 e t ½= 70 dias).As doses recomendadas para ambos produtos em todos os cenários simulados não oferecem tendências de risco de contaminação na região estudada, uma vez que os lençóis subterrâneos estão localizados a partir de 1,5 m de profundidade.


Valores de profundidades (em metros) atingidas por benomil aplicado
em uva para os cinco anos simulados.

Legenda dos solos:


CÓDIGO SOLO 
NCP01 Latossolo Amarelo Distrófico
NCP07 Latossolo Amarelo Eutrófico
NCP09 Latossolo Vermelho Amarelo Eutrófico
NCP11 Podzólico Vermelho Amarelo Distrófico
NCP15 Podzólico Vermelho Amarelo Eutrófico
NCP18 Podzólico Amarelo Álico
NCP25 Podzólico Amarelo Distrófico
NCP60 Podzólico Amarelo Eutrófico
NCP74 Podzólico Acinzentado Álico
NCP78 Planossolo Eutrófico
NCP83 Areia Quartzosa Distrófica
NCP84 Areia Quartzosa Álica

  


Comparação entre concentrações finais registradas,
para t ½= 67 dias e t ½= 240 dias,por benomil
em uva nos solos analisados, com dose inicial
recomendada ( 60 g/100 L).

   


Comparação entre concentrações finais registradas, 
para t ½= 67 dias e t ½= 240 dias, por benomil em uva
nos solos analisados, com dose máxima utilizada
na região ( 300 g/100 L).

   

Profundidades (em metros) atingidas por mancozeb aplicado
em manga nos solos analisados.

    

Comparação de valores de concentrações obtidos para as doses máxima 
e recomendada de mancozeb em manga.

A partir dos diferentes cenários analisados por simulação foram avaliadas as dinâmicas de benomil aplicado em uva e de mancozeb aplicado em manga no perfil vertical de 12 solos, predominantes na região do Submédio do Rio São Francisco, para efeito de tendências de contaminação dos lençóis subterrâneos locais. Pôde-se constatar a importância dos valores de meia vida (t½) e de coeficiente de carbono orgânico (Koc) dos produtos analisados, solicitados pelo simulador, para a análise de tendências futuras de contaminações de solo e água por agrotóxicos. A maior parte dos trabalhos citados em literatura científica utiliza dados médios encontrados para essas características dos produtos, entretanto, esses valores podem refletir situações completamente diferentes em termos de contaminação, conforme apresentado pelos resultados obtidos para benomil.

Salienta-se também que, as doses efetivamente utilizadas pelos pequenos produtores da região do Submédio do Rio São Francisco, na sua grande maioria, não apresentam tendências a risco de contaminação dos lençóis subterrâneos subsuperficiais, localizados a partir de 1,5 m de profundidade para ambos produtos. Ressalta-se, entretanto, que o simulador utilizado não avalia os reaplicações dos produtos no mesmo ano.

Reforça-se também a necessidade de reorientar os produtores da região, os quais na maioria das vezes possuem baixo nível educacional e pouca percepção dos impactos negativos que possam estar causando, para os efeitos que as doses, muito acima dos valores recomendados para os produtos, possam causar na futura disponibilidade de água utilizada para irrigação das culturas e para consumo humano e de animais, assim como para o próprio solo da região.


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