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Embrapa apresenta maquetes sobre meio ambiente na ExpoJaguariúna 2008

Feira une tecnologia, agronegócio, turismo, meio ambiente e responsabilidade social

De 6 a 8 de novembro no Parque Santa Maria, em Jaguariúna, SP a ExpoJaguariúna 2008 une empresas nacionais e multinacionais da Região Metropolitana de Campinas, Circuito das Águas Paulista e do Circuito Turístico de Ciência e Tecnologia, nos segmentos de tecnologia, agronegócios, turismo, meio ambiente e responsabilidade social, funcionando assim como uma grande vitrine das potencialidades da Região.

Além de duas maquetes sobre meio ambiente, algumas tecnologias da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estarão expostas na Feira.

Maquete sobre erosão do solo em estande da Embrapa na ExpoJaguariúna 2007
Foto: Eliana Lima

Maquete sobre erosão: certo x errado

O técnico da Embrapa Meio Ambiente José Abrahão Haddad Galvão desenvolveu uma maquete que de um lado mostra uma agricultura predatória – e do outro a recomendável, buscando ser auto-explicativa. As pessoas podem detectar os erros na hora. “Alguns, explica o técnico, são mais sutis e precisam ser bem analisados”. Um deles é a relação de diversidade e ciclo de culturas. O agricultor precisa se ajustar, uma vez que algumas plantas têm o mesmo ciclo.

“Uma agricultura sustentável, diz Abrahão, respeita o ciclo da cultura até a colheita”. Além disso, é preciso ter consciência de que a planta colhida deixará a área desocupada.

O que chama a atenção nessa maquete é que as plantas são naturais e não de plástico. “É um sistema vivo e as pessoas percebem isso”, salienta o técnico.

Um conceito difícil de perceber é o da importância dos fungos e das bactérias. Outro ponto não observado pela maioria das pessoas é sobre a mata ciliar, que tem tipos diferentes de plantas no topo e no morro. “Perto do rio é preciso ter plantas que aceitem essa condição de mais umidade”, ensina. “Essa maquete é um tipo de jogo de sete erros”, diz. As pessoas vão percebendo o que está errado aos poucos, como o fato das árvores e bichos que estão na beira d’água não serem os mesmos que estão no topo do morro”.

“Que bichos você lembra de sua infância que não vê mais hoje?”. Para Abrahão esta é uma pergunta muito interessante e que causa muita emoção. Não é porque nasceu no mato que se deve ser agricultor. “Ser agricultor é uma questão de encantamento – é uma paixão, um desafio a cada dia. A cada curso que faz, ele percebe que quase tudo está para ser feito. “O agricultor é o seu próprio pesquisador”, acredita.

Outro ponto a ser observado na maquete é que não há pessoas nem construções – o ser humano faz parte do ambiente. Mas ações do homem são fáceis de detectar. Os dois lados são idênticos. As pedras estão no mesmo local, com a mesma inclinação – as árvores desmatadas e as que ainda estão em pé são as mesmas – é a mesma área, só que com atividades de manejo diferentes.

Maquete Agricultura x Meio Ambiente

Outra maquete a ser mostrada na feira representa uma paisagem rural segmentada em dois cenários. Foi idealizada pelo agrônomo da Embrapa Meio Ambiente Francisco Miguel Corrales. Ele explica que de um lado estão os aspectos que comprometem a qualidade sócioambiental: ausência de cobertura vegetal nativa, erosão do solo, poluição de córregos, além do êxodo rural provocado pela degradação dos recursos naturais e pela desigualdade social.

Do outro lado da maquete são apresentadas medidas que promovem a melhoria da qualidade ambiental, tais como manutenção de matas em áreas de nascentes e nas margens dos rios e práticas de plantio em nível que promovem a conservação do solo. Também neste sentido são mostradas condições dignas de moradia e de trabalho da família rural. “Portanto, o desafio - e a urgente necessidade - é cada um de nós, de diferentes maneiras, possa contribuir para que o cenário de equilíbrio sócioambiental no campo se faça cada vez mais presente”, conclui Corrales.

Coletor solar

Este equipamento utiliza a energia solar para desinfestar misturas de solo utilizadas em viveiros de plantas para produzir mudas saudáveis, livres de microrganismos prejudiciais ao seu desenvolvimento. Com funcionamento simples e construção barata, o coletor solar tem por finalidade acabar com os fungos, bactérias e algumas plantas daninhas do solo a ser utilizado para o plantio de mudas. Composto de uma caixa de madeira, com tubos de ferro galvanizado onde o solo é colocado e coberto por um plástico transparente, que permite a entrada dos raios solares, construir um coletor não é caro nem difícil.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Raquel Ghini, “o brometo de metila foi um dos produtos mais utilizados para desinfestação de substratos para produção de mudas. Porém, apesar de eficiente, o produto era altamente tóxico, eliminava organismos benéficos do solo e, por causar destruição da camada de ozônio do planeta, seu uso foi proibido no Brasil a partir de janeiro de 2007”, informa. Assim, a Embrapa Meio Ambiente desenvolveu um equipamento para desinfestar substratos com uso da energia solar, controlando essas doenças sem riscos para o ambiente.

“O mecanismo de funcionamento é o mesmo de um aparelho de energia solar utilizado para aquecer água em residências. O sol bate nos tubos, aquece a terra e os microrganismos são eliminados pelo calor. Normalmente, em um dia de sol, a temperatura dentro dos tubos chega a 90 graus, o que é suficiente para matar os fungos mais comuns como Scletorinia sclerotiorum, Sclerotium rolfsii, Verticillium e Rhizoctonia solani entre outros, pois são todos sensíveis ao calor”, explica ela.

Motor multicombustível

Com potência inferior aos motores tradicionais que utilizam gasolina, álcool ou diesel, o motor transforma qualquer fonte de calor em trabalho útil, com a vantagem de utilizar qualquer tipo de combustível renovável que gere calor.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Aldemir Chaim, idealizador do invento, o motor apresenta várias utilidades para os agricultores, desde carregar pequenas baterias ou qualquer atividade que não necessite de motores muito potentes. “Podem, por exemplo, ser aplicados nas bombas d’água em projetos de irrigação; retirada de água de poços para consumo humano; como gerador para iluminação de emergência em residências; em atividades de lazer, como camping e pescaria; como carregador de celulares, e até na dessalinização da água”, informa. “É extremamente simples, fácil de construir e com custo bastante reduzido”, salienta ele.
Além de combustíveis líquidos como o álcool, pode funcionar também com carvão, cavacos de madeira, gravetos, palha e até restos de culturas de propriedades agrícolas e também energia solar. “Contribui desta forma para a redução de emissão de poluentes para a atmosfera”, diz Chaim.

Pulverizador eletrostático

A pulverização eletrostática caracteriza-se pela produção de gotas com cargas elétricas que sofrem forte atração pelas plantas. De acordo com o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Aldemir Chaim, as gotas com cargas elétricas se depositam com facilidade na face inferior das folhas. “Na pulverização convencional apenas 30% do produto aplicado se depositam nas plantas, enquanto que na pulverização eletrostática a deposição pode atingir 70% do agrotóxico aplicado”, informa ele.

Segundo o pesquisador, este tipo de pulverização possibilita uma redução real na dose do produto aplicado, sem perda da eficácia de controle. Outra vantagem da tecnologia, além da economia, é a redução do risco de contaminação do meio ambiente. “Além disso, a contaminação dos profissionais que fazem a aplicação do produto também é sensivelmente reduzida”, salienta ele.


Bioindicadores de qualidade de água

A comunidade de organismos bentônicos (grupo de organismos visíveis a olho nu, composto por insetos, crustáceos, moluscos e vermes que habitam o substrato de fundo de rios e lagos) é cada vez mais utilizada como uma ferramenta eficaz e barata na avaliação da qualidade das águas, em conjunto com a tradicional avaliação por parâmetros físico-químicos e microbiológicos. A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Mariana Silveira Guerra Moura e Silva explica que embora este tipo de biomonitoramento esteja mais desenvolvido para sistemas naturais - rios e lagos, já existem alguns exemplos de aplicação para sistemas de aqüicultura, onde se apresentam como uma alternativa para a avaliação da qualidade da água, com menor custo e visando à aplicação de Boas Práticas de Manejo.

A vantagem do biomonitoramento utilizando os organismos bentônicos é importante, segundo Mariana, pois “a avaliação físico-química registra uma situação momentânea, o que pode não ser apropriado no caso do despejo de efluentes domésticos ou industriais não tratados em rios”. No entanto, “é aconselhável que em um programa de monitoramento de qualidade de águas sejam feitos os dois tipos de análise — a físico-química e a biológica, pois os resultados de cada uma se complementam, permitindo melhor compreensão dos impactos ambientais ocorridos”, informa.

Cristina Tordin, MTb 28.499
Eliana Lima, MTb 22.047
Jornalistas
Embrapa Meio Ambiente

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