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Sexta-feira, 01 de agosto de 2014




Embrapa Meio Ambiente discute consumo sustentável como fator decisivo para as futuras gerações

15.12.2006

Campanha Consumo Consciente foi lançada em 7 de dezembro, com palestra para os empregados sobre a importância da conscientização de se consumir produtos conectados com o meio ambiente

“Tudo o que consumimos afeta o meio ambiente de alguma forma”, disse o pesquisador José Maria Gusman Ferraz da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em palestra aos empregados da Unidade, em 7 de dezembro de 2006, sobre a importância do consumo sustentável para o meio ambiente.

Essa palestra lançou a Campanha Consumo Consciente, coordenada pelo Processo de Gestão de Pessoas (PGP), da Embrapa Meio Ambiente. Durante o ano de 2007, várias mensagens e artigos sobre o assunto serão enviados aos empregados.

Crianças das escolas de Jaguariúna, SP, participam de projeto de reciclagem.
Foto: Cristina Tordin

Ferraz explicou que as nossas escolhas do dia-a-dia são muito importantes para diminuir a degradação do meio ambiente e consequentemente, a degradação do homem. Como exemplo, citou o aumento do buraco na camada de ozônio. “A maior fonte de poluição por monóxido de carbono do ar é a proveniente dos carros na cidade de São Paulo”, diz o pesquisador. “Como atitude consciente podemos deixar o carro em casa e usar ônibus sempre que possível, ou revezar as caronas com os amigos”.

Outra ação importante e individual é a diminuição do desperdício de água. Torneiras pingando o dia inteiro gastam 46 litros de água, em média, quantia diária suficiente para uma pessoa viver, segundo dados ONU, esclarece o pesquisador. Ele acrescenta que nem seria preciso falar sobre não escovar os dentes com a torneira aberta, tomar banhos menos demorados, lavar a louça com detergentes menos poluidores. “Essas atitudes já devem estar embutidas em nós”, acredita.

Para Ferraz o consumismo desenfreado é a maior ameaça ao futuro da humanidade. Ele acredita que a mídia valoriza o consumo sem necessidade, o comprar por prazer. Ele lembra que nossas avós usavam basicamente apenas três produtos de limpeza para limpar a casa inteira e lavar a roupa. Hoje, quando vamos ao supermercado, são muitas prateleiras de produtos com alto teor de novos compostos químicos, cujo efeito ambiental ainda são desconhecidos. Tudo isso precisa ser repensado, diz.

Consumo consciente

Adquirir produtos e serviços que respeitem o meio ambiente, que usam recursos naturais sem comprometer as gerações futuras, essa é a regra principal. “Estamos consumindo além da capacidade de reposição da Terra”, assim já estamos com déficit, explica. “É como se todo mês estivéssemos gastando mais do que recebemos, mas esse saldo negativo é muito mais complicado para se reverter do que a dívida do banco”, compara.

Outro grande problema é o lixo, fala Ferraz. “É preciso pensar sempre nos 4Rs – reduzir o desperdício, reutilizar, reciclar e repensar ou preciclar, que significa pensar no resíduo da compra. Cerca de 40% do que compramos é lixo, que usaram recursos e energia da natureza para ser produzido. Alguns papéis usados para embalagens têm um período de uso de menos de 30 segundos, às vezes”, diz Ferraz. No Brasil, 30% do papel são reciclados, enquanto que o padrão europeu chega a 70%.

Atualmente, diz o pesquisador, 24 mil pessoas no Estado de São Paulo trabalham como catadores e 22% desse número são crianças com menos de 14 anos. Desse total, 7.200 vivem nos lixões. Campinas, uma das maiores cidades de São Paulo, gera 700 toneladas diárias de lixo, com reciclagem de 12 toneladas. Isso significa apenas 3%. O pesquisador enfatiza que os males da pobreza, como o lixo e a água contaminada são os que mais matam no mundo.

Quando é necessário comprar, prefira embalagens menos impactantes, por exemplo de papelão e não de isopor. Use o menos possível embalagens plásticas, que é outro fator importante de poluição. Ao beber água, use sempre copos de vidro, não os recicláveis, que além de contribuir para poluir menos, você não ingere substâncias químicas liberados por esse material, que agem como hormônios femininos.

Mudança cultural

“Que teu alimento seja teu remédio e que teu remédio seja teu alimento” (Hipócrates).

Consumir é um exercício de liberdade, mas, acredita Ferraz, é necessária uma mudança de postura, se quisermos contribuir para a preservação do meio ambiente. “Necessito realmente desse produto? É de boa qualidade? É possível consertá-lo, reutilizá-lo, compartilhar? Agride o meio ambiente?” São perguntas a serem feitas.

Uma pesquisa realizada em São Paulo em 2006 mostrou que 70% dos jovens brasileiros se interessam por compras. Nos EUA esse percentual é de 33%. Isso demonstra, acredita Ferraz, que estamos consumindo apenas pelo prazer de consumir. E depois trabalhamos mais para poder pagar essas compras, sem ter tempo de usufruí-las.

Tecnologias são resolvem tudo, conclui ele. “Nós é que precisamos mudar nossas escolhas, nossas atitudes, nosso modo de viver”.

A Campanha Consumo Consciente continua na Unidade em dezembro, com envio de mensagens eletrônicas, pessoalmente e afixadas em murais relativas ao tema, incentivando essa prática, principalmente no período de festas de fim de ano, onde o consumo fica exacerbado, enfatiza a assistente social da Embrapa Meio Ambiente, Katy Anne Guimarães, coordenadora da campanha.


Cristina Tordin
Jornalista, MTb 28.499
Embrapa Meio Ambiente



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