| Arroz irrigado por inundação
O cultivo de arroz irrigado por inundação
representa, em âmbito global, uma das principais fontes antrópicas
de metano (CH4). Segundo o Painel
Intergovernamental de Mudança Climática - IPCC (1996), estima-se
de 20 a 100 teragramas, média de 60 Tg (Tg= Teragrama 1012
grama) por ano a emissão global desse gás nos campos
de arroz irrigado, o que corresponde a 16% do total de emissão
de todas as fontes.
Do total de metano gerado por essa
fonte, 90% é atribuído ao continente asiático. Mais
de 50% da população humana mundial utiliza o arroz como alimento
básico, sendo que entre 1998 e 1999 foram cultivados 151 milhões
de hectares de terras, atingindo uma produção global de 570
milhões de toneladas (FNP, 1999).
O metano é produzido no solo
pela decomposição anaeróbica de substâncias
orgânicas, mediante a ação de bactérias metanogênicas)
que requerem condições altamente reduzidas para seu crescimento,
como as encontradas em solos cultivados com arroz inundado. Esse gás
é liberado para a atmosfera principalmente por transporte difusivo,
pelo aerênquima (tecido vascular) das plantas de arroz e também
por difusão através da lâmina d'água. (Bont
et al., 1978) conduziram experimentos mostrando que a presença de
plantas de arroz facilita o escape de metano para atmosfera por um fator
de 7 a 10 vezes maior em relação aos solos inundados sem
cultivo de arroz.
Pecuária
A pecuária contribui para
as emissões de metano por duas vias: fermentação entérica
e dejetos animais
Processo de fermentação
entérica
Herbívoros ruminantes, como
bovinos, ovinos, bubalinos e caprinos, através da fermentação
entérica, um processo digestivo que ocorre no rúmen, produzem
metano. As emissões globais desse gás geradas a partir dos
processos entéricos são estimadas em 80 milhões de
toneladas anuais, correspondendo a cerca de 22% das emissões totais
de metano geradas por fontes antrópicas (U.S.EPA, 2000).
No Brasil, 68% da pecuária
é representada por bovinos (87% de corte e 13% de leite, aproximadamente),
com pouco mais de 163 milhões de animais em 1998 (IBGE, 2000), sendo
considerado o maior rebanho bovino do mundo com fins comerciais. Grande
parte desses animais é do tipo zebuíno, criados em sistemas
predominantemente extensivos, de baixo investimento de capital.
Dejetos animais
A produção de metano
dá-se também a partir dos dejetos animais, principalmente
quando manipulados na forma líquida, em condições
de anaerobiose. As emissões globais de metano provenientes dessa
fonte são estimadas em cerca de 25 milhões de toneladas por
ano (IPCC, 1995), correspondendo a 7% das emissões totais de metano.
Queima de resíduos
agrícolas
A combustão da biomassa de
resíduos de colheita e de culturas agrícolas na pré-colheita,
como prática agrícola, leva à produção
de metano, óxido nitroso (N2O),
óxidos de nitrogênio (NOx) e monóxido de carbono (CO),
além do dióxido de carbono (CO2).
O fogo libera carbono da biomassa durante a combustão e acentua
diretamente a liberação de carbono do solo do qual a vegetação
foi queimada. No Brasil é frequente a queima
de cana-de-açúcar na pré-colheita (para auxiliar
a colheita manual), e, em menor escala, a queima dos resíduos da
cultura do algodão, para controle fitossanitário. Embora
ocorra liberação de CO2
durante a queima da cana-de-açúcar, as emissões deste
gás não são consideradas como uma emissão líquida
ao longo do tempo por esses sistemas, pois, no ciclo seguinte da cultura,
o CO2 emitido é reabsorvido
(IPCC, 1996b). |